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Feliz 2014 !! Tá meio tarde para isso, eu sei….! Mas esse é o primeiro post do ano ! Então é o que me resta… Dessa vez não tenho nenhuma desculpa para não ter escrito nada até agora, abril, quarto mês do ano, a não ser as correrias normais das aulas e gigs… Mas enfim, antes tarde do que nunca, já dizia o velho deitado !….

Fui para Gonçalves mais uma vez para passar a virada do ano, toquei numa pousada chamada Solar D’Araucária, com meus queridos Elder Costa e Claudinho Mendonça, parceiros de tantos anos e tantas gigs. O trabalho foi muito legal, o lugar é muito lindo, os contratantes super legais, e deu tudo tão certo que no fim da noite já fomos contratados para o reveillon de 2015 !…

Depois desse último trabalho de 2013 (ou primeiro de 2014 ??), eu tinha meus 15 dias de férias, como sempre nessa época do ano. A ideia, também como sempre, era uma pedalada, solo, já que não consegui arranjar parceiros, mas dessa vez, contrário ao meu jeito de ser, eu não tinha planejado nada… Não sabia que dia sairia, nem de onde, nem para onde iria. Acabei decidindo deixar o carro em casa, em Gonçalves, e sair pedalando de lá mesmo, meio sem rumo… Fui deixando a maré me levar, os dias foram passando, e sempre aparecia alguma coisa legal para fazer : uma cerveja com um amigo aqui, outra com uma amiga acolá, um passeio numa cachoeira com uma galera, uma caminhada numa trilha massa, um churrasco na casa do meu amigo Alecsandro (dono de um lugar bem legal em Gonçalves, a Tribo da Montanha, base de esportes de aventura, onde se pode fazer rapel, bóia-cross, trekking, enfim, muitas opções pelas trilhas, montanhas e cachoeiras da região. Dá uma olhada no site : http://www.tribodamontanha.blogspot.com). Enrolei por vários dias em janeiro : 2, 3, 4, 5… Esse último foi o dia do churrasco, que começou às 15h e acabou lá pelas 23h….! Voltando para casa, nesse horário, depois de “encher o bucho” de cerveja e carne, eu decidi, num estalo : “É amanhã !” Um detalhe : nada arrumado, nenhum equipo, nenhuma bagagem, e só nesse momento eu decidi ir para Brazópolis, passando por São Bento do Sapucaí. Bom, pelo menos eu já sabia quando e pra onde iria primeiro. O resto, pensei, vou decidindo pelo caminho. Nem tava me reconhecendo !…. Mas tava feliz, muito feliz !

A Partida – Gonçalves – Brazópolis

Acordei no dia 6 de janeiro às 6H30 da manhã, e foi nesse momento que eu comecei a arrumar o equipamento e a bagagem. Por já estar acostumado com cicloviagens, eu já sei o que levar, e onde, então não demorei muito nessa tarefa. Tomei um café da manhã reforçado olhando o dia, lindo, de sol e calor que se anunciava por entre as araucárias do Sertão do Cantagalo, bairro onde fica minha casinha, meu refúgio na montanha. Olha ela aí, com sua singela porteira colorida, numa foto tirada em outro dia, cinza :

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Depois do café, quase tudo pronto para a saída. Preparei a bike, uma Specialized Camber aro 29, nova na parada ! Pois é, me rendi às rodonas, confesso !…

Olha a flamenguista aí, gente ! (Não que eu seja…)

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All set, good to go !!! Pé no pedal e vamo que vamo, rumo à mais uma aventura pela Serra da Mantiqueira, minha querida e velha conhecida !….

Segui em direção à cidade, de lá fui para São Sebastião das Três Orelhas, pois planejei chegar em São Bento pelo Serrano, um bairro que proporciona uma bela paisagem e uma vista magnífica da Pedra do Baú e adjacências. Logo depois de São Sebastião, quando eu já estava na direção do bairro do Campestre, uma bela surpresa : um ciclista emparelhou comigo e começamos a conversar, papo esse que durou alguns quilômetros. Era o Dr. Paulo Márcio, médico, morador de Pouso Alegre (onde meus pais moram também…) e assíduo frequentador de Gonçalves. Papo vai, papo vem, e acabamos descobrindo vários amigos em comum, foi muito legal encontrá-lo, acabamos nos adicionando no facebook, na volta… Começo auspicioso, fazer um amigo numa viagem que acabou recheada de amigos !

Depois de algumas subidas, boas para esquentar (e curar a ressaquinha do churrasco do dia anterior…), cheguei na divisa de municípios Gonçalves – São Bento do Sapucaí, onde se descortinou uma das paisagens mais bonitas da viagem :

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A divisa de municípios :

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Nesse ponto começou uma descida alucinante, onde despenquei de 1600 para 900 m, em poucos quilômetros. Depois, um trecho bem plano até chegar no centro da cidade. Parei na praça para uma barrinha rápida, ganhar energia para o que viria, uma serra inclemente debaixo de um sol idem. Aliás, aqui cabe um comentário : nunca peguei um clima tão seco num verão nessa região. Atípico. Nessa época costuma chover muito por aqui !

A serra, em direção ao bairro do Cantagalo, é daquelas que quanto mais sobe, mais linda fica… Aliás, acho que essa é uma regra geral para serras…! O sol, como disse há pouco, estava à pino, tostando o cérebro, tive que parar várias vezes nas sombras que apareciam, tal o calor. Mas nada que desanimasse o início de mais uma cicloviagem !

Subindo :

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Mais um pouco…

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Passei por algumas divisas de município que são também divisas de estado. Essa pedra divisória deve ser antiga, pois o Gerais do Minas está grafado Geraes :

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Depois dessa subida, cheguei no bairro do Cantagalo, e a partir daí percorri um trecho coincidente com o Caminho da Fé, trilha de peregrinação que já fiz em 2012 (ver post). Até Luminosa, distrito de Brazópolis, fui seguindo as famosas setas amarelas, que indicam o caminho aos peregrinos. Mais um pouco de subida, afinal estamos na Mantiqueira, até chegar perto de Luminosa, em mais uma divisa de município/estado, onde mais uma vez despenquei numa descida alucinante, a última do dia… Desse topo dava para ver a cidadezinha, um círculo de casas cercado de árvores, e com a majestosa serra ao fundo. A divisa :

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A vista de Luminosa :

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A partir de daí, terreno bem plano até Brazópolis, cidade que abriga um observatório astronômico, e é chamada assim por ser a terra natal de Wenceslau Braz, que foi presidente do Brasil no começo do século xx. Como eu sempre digo, pedal também é cultura !!

Cheguei em Brazópolis mais ou menos às 16h, e ainda tinha a tarefa de achar um lugar para dormir, já que, como eu disse no início, não tinha planejado nada, muito menos feito reservas em pousadas ou hotéis… Mas também, eu não sabia para onde ia !… Achei duas opções : a Pousada Montanhas e Vida (80 reais), e o Hotel do Tonhão (30 reais). Optei pelo mais barato, em homenagem ao meu amigo designer, ciclista, corredor e baixista Tonhão, e também em prol da economia, ainda não tinha recebido o cachê do reveillon e estava apenas no primeiro dia… Bem simples as acomodações, mas acho que quando estou viajando de bike, o importante é o caminho, não o destino… Tomei um banho e fui no primeiro boteco que encontrei, para aquela cervejinha de boas vindas, e para hidratar (!) depois de todo aquele sol no lombo…! No caminho já assuntei onde poderia jantar, e descobri um restaurante na praça da igreja, da D. Vera, marquei uma hora com ela e fui dar um passeio pela cidadezinha.

Esse passeio acabou sendo uma volta ao passado, na época que eu tocava com a banda Assassinato em Veneza, tocamos várias vezes no clube da praça, em muitos bailes onde sempre começávamos a tocar com o salão vazio, os frequentadores esperavam a música começar para entrar no recinto…. Coisas de cidade do interior…

Claro que lembrei do saudoso Pompeu (ver post), que era o vocalista da banda. Ao ver o clube meus olhos ficaram marejados… Muitas lembranças, muitas saudades.

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A igreja matriz :

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O total do primeiro dia foi de 73,61 Km, com um total de subidas de 1248 m.

O link do Garmin Connect para mais detalhes desse dia, como altimetria, mapa, e outros :

http://connect.garmin.com/activity/429598334

Não perca a continuação desse relato, o segundo dia de viagem, no próximo post…

Mais uma ida a Gonçalves, dessa vez por um caminho diferente. E em menos tempo. Saindo de casa em Sampa, e chegando em casa, em Gonçalves. Quando pedalei o trajeto Mairiporã – Gonçalves, em janeiro (ver post), eu passei por Piracaia, Joanópolis, Monte Verde, em 4 dias de viagem. Dessa vez passei por Igaratá e São Francisco Xavier, do outro lado da serra da Mantiqueira, em três dias. E não tive que incomodar a querida Rê para me levar até Mairiporã… É que eu saí de casa, peguei  metrô e  trem e cheguei na estação Ermelino Matarazzo, de onde tinha previamente traçado um caminho passando por Guarulhos, Santa Isabel e chegando em Igaratá.

Na viagem de trem, uma estação estava fechada, tive que fazer mais uma baldeação, o que, carregando a bike e de mochila nas costas, dificultou um pouco as coisas… Mas tudo bem, era feriado, três dias de pedal pela frente, e vamo que vamo !

O primeiro dia de pedal começou mesmo depois que desci do trem, quase 10 da manhã, o sol já estava quente no céu. Fui em direção à Dutra, e depois peguei a estrada velha Guarulhos – Nazaré Paulista, mas não segui nela, desviei em direção ao bairro Morro Grande, passei pela entrada do Horto Florestal de Guarulhos até que cheguei numa estrada que eu não imaginava que existisse numa cidade grande como essa… A estrada da Serra da Pedra Branca. Reserva florestal dos dois lados, bem bonito e preservado. 20130501_114124

Quando tirei essa foto me lembrei da música do amigo João Lúcio, de Itajubá : “A cruz da capela / No alto da serra…” Essa capelinha vai para a coleção ! Mais pelo conjunto da obra, é claro, do que por ela propriamente… Agora, sem mais delongas, a Estrada da Serra da Pedra Branca :

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A subida da serra foi meio impossível em certos trechos, muitas pedras grandes atrapalhavam a tração e a direção, preferi empurrar. Um pouco antes dessa subida da foto, que foi a mais íngreme do dia, eu tinha acabado de passar por um rapaz, que me disse, na maior cara de pau : “- A partir daqui é só descida…! ” Ahnhã, claro, claro !!.. Depois de mais alguns quilômetros a descida veio, foi quando encontrei os únicos trilheiros do feriado de 1° de maio, dois motociclistas que estavam bloqueando a trilha, e demoraram para me ver, tive que pedir licença para passar. Pediram desculpas e saíram da frente… Ok, desculpados, tudo certo ! Depois de descer passei por um lugar conhecido, em Santa Isabel, onde já tinha pedalado com os amigos Zé Helder e Tonhão. Era o “Carioca’s Bar”, onde paramos para um descanso numa trilha uns tempos atrás. Daí até Igaratá foi um trecho com poucas subidas, porém a quilometragem total fez com que, ao chegar na cidade, eu estivesse bem cansado. O fator mochila ajuda nessa questão, também. Cheguei em Igaratá lá pelas 16h30. Comi um lanche na padaria e fui para a pousada que já tinha reservado, a Chicon´s. Engraçado, esse nome. Lugar simples, porém agradável, com preço justo, onde também jantei um PF de respeito, dá só uma olhada :

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Bem variado, salada, legumes, filé de frango à parmigiana, farofa e uma montanha de arroz e feijão… Tempero caseiro, hum….! A noite de sono foi como o esperado, depois de um dia de pedal e um rango desse: apaguei cedo e dormi muito ! Mesmo acordando no outro dia às 6h30 !

O segundo dia começou com um nevoeiro insistente, achei até que fossem nuvens de chuva, apesar da previsão ser de tempo bom. Depois do café da manhã segui viagem, em direção à Serra… Apesar disso, a altimetria revelou sobes e desces quase o tempo inteiro, e mantendo a altitude média de 600 m. Só subi de vez no último trecho, e mesmo assim não foi muito. A subida forte, mesmo, seria no dia seguinte, para chegar em Gonçalves. Mas isso é assunto para mais tarde.

A próxima foto é de uma cachoeira de costas, imaginou ? É que a gente sempre vê uma cachoeira depois que ela cai, a água fica branca por causa da espuma… Mas antes de cair a água é transparente, então só para ver o curso normal do rio… Olha só :

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Uma pausa para o almoço, para descansar as pernas e os ombros (por causa da mochila) :

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Eis que surgem no horizonte os primeiros sinais das montanhas da Mantiqueira :

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No meio do caminho tinha uma aranha bem grande (morta, infelizmente…) :

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Passei por alguns cursos d´água durante esse pedal, mas esse foi escolhido o mais bonito :

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Mais uma para a coleção de capelinhas à beira do caminho, essa bem chique, uai :

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Mais uma cachoeirinha, na beira da estrada, participação especial dos raios de sol :

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Depois de passar por esse lugar cheguei num bairro onde tinha um bar, resolvi parar para tomar alguma coisa. Não tinha nada que prestasse, a não ser uns picolés daqueles de saquinho que estavam com uma cara boa, mas com gosto de alho e cebola (!), de quando a pessoa guarda as coisas misturadas no mesmo freezer… Resumindo, horrível… Acabei jogando fora o resto discretamente e segui viagem. De repente topei com essa flores, um roxo bem marcante. Fiquei me perguntando que flores seriam essas…

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Agora sim, Serra da Mantiqueira, em todo o seu esplendor, à vista !

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Cheguei em São Francisco Xavier por volta das 16h, e fiz o mesmo ritual do lanche na padoca do dia anterior, dessa vez adicionei uma cervejinha, pra comemorar o segundo dia de pedal e a marca de 125 Km percorridos em dois dias.

Fiquei na pousada São Francisco, no fundo da praça, um lugar onde já toquei (!) com o Quinteto Zen, do Zé Eduardo Nazário, mais de dez anos atrás. Não foi coincidência, eu já sabia disso quando fiz a reserva, mas mesmo assim foi bom estar de volta e relembrar. Preço justo e acomodações OK.

São Francisco Xavier é um lugar bem simpático, cheio de atrações, mas nesse dia, por ser uma quinta-feira, poucos lugares estavam abertos. Mesmo assim achei um lugar bem legal, o Pangea.  Foi lá que eu comi o prato da foto abaixo, tente adivinhar o que é :

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Tudo bem, você vai dizer que a foto ficou escura, que não dá para dizer, mas tem que concordar que está bem bonita essa apresentação… Agora a surpresa : Esse é o PF do Pangea ! Foi o prato feito mais chique que já comi : Iscas de filé mignon acebolado sobre uma cama de batatas rústicas e ladeado por uma farofa de banana divina, mais arroz (do lado esquerdo, numa travessa comprida) e feijão (ainda não tinha chegado quando tirei a foto), que mataram a minha fome com louvor ! E o preço não foi tão alto como eu imaginava…

Mais uma ótima noite de sono, mais um despertar às 6h30, café na padaria e lá fui eu para o último dia dessa viagem, a chegada em casa, em Gonçalves. Nesse dia não teve choro nem vela, aí era a serra mesmo, muitas subidas, e por isso mesmo, paisagens fantásticas, emolduradas por um dia radioso de sol e céu azul, azul…

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Como já disse antes, passei por vários cursos d´água, olha mais esse :

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Nesse dia os primeiros 14 Km foram de subida constante, já conhecida por mim em outra ocasião. Aliás, esse trajeto todo desse terceiro dia já era meu conhecido. A novidade foi o dia lindo que fez, que eu raramente tinha visto durante  os pedaisl por essa região. Só para ilustrar o que eu acabei de escrever :

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Quase no alto da subida da estrada de Santa Bárbara existe uma pedra que era usada pelos tropeiros como abrigo, olha ela aí, com uma placa, para não passar desapercebida :

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Depois terminar a subida (ufa!) cheguei na divisa de municípios : São José dos Campos /  Sapucaí-Mirim. Para quem não sabe, São Francisco Xavier é um distrito de São José dos Campos. Depois da divisa, um pequeno refresco, uma descida para recuperar as energias, e dá-lhe subida de novo. Mas antes, as placas para indicar o caminho :

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Numa dessas subidas, na curva, uma árvore imponente :

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E o sol por entre seus galhos :

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O alento, sempre, é que depois de uma subida vem uma paisagem como esta, que não dá para descrever em palavras :

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Como já disse antes, o caminho que eu percorri é um velho conhecido meu.  Mas fazia tempo que não o trilhava, ainda mais num dia de sol radiante e céu azul. Isso deu um ar de novidade e frescor, parecia uma estrada desconhecida. Ao invés de ir para o centro de Gonçalves, meu destino era o bairro Sertão do Cantagalo, o que me fez desviar da estrada principal, por uma estradinha secundária pouco utilizada, daquelas que passam por dentro de propriedades, com porteiras ou mata-burros aqui e ali. Mais uma vez uma mega subida… E mais uma vez uma mega paisagem !

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Não sei se é a estação, ou o sol que destaca mais as cores, o fato é que as flores no caminho saltavam aos olhos, impossível não fotografar :

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Até que cheguei no Bairro do Mato, do qual já falei em outro post, que eu considero quintal de casa… Foi quando apareceu outra vizinha velha conhecida, a Pedra de São Domingos, que eu chamo carinhosamente de “São Dumas”…

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Nessa luz de fim de tarde de inverno e nesse ângulo ela ficou bem na foto, eu diria ! Isso significava que a viagem estava chegando ao fim, mais uma bem sucedida ! Cheguei na casinha bem cansado, mas bem feliz por mais essa travessia SP/MG. No total foram exatos 178,4 Km, 4679 m subidos e 3934m descidos. Mais do que o Monte Cook, que tem quase 4000 m de altura, na Nova Zelândia ! Ou meio Everest !

Mais detalhes como mapas, gráficos, etc. :

Primeiro dia (65,57 Km, 1346 m de ascensão total) : http://connect.garmin.com/activity/308541159

Segundo dia (58,79 Km, 1299 m de ascensão total) : http://connect.garmin.com/activity/308541254

Terceiro dia (54,04 Km, 2034 m de ascensão total) : http://connect.garmin.com/activity/308541351

Ilhabela é um lugar que, como poucos, faz jus ao nome que tem. Realmente é uma ilha bastante bela. Com seus quase 350 quilômetros quadrados de área, tem altitudes que variam de 0 a 1380 m ! O resultado disso na prática : mar e cachoeiras, praia e montanha, reunidos num só lugar. E que lugar ! E tudo isso emoldurado pela mata atlântica, bastante preservada em vários pontos, principalmente dentro do Parque Estadual de Ilhabela.

Antes chamada de Vila Bela da Princesa, depois Vila Bela, até que em 1945 passou a se chamar Ilhabela, essa ilha era desconhecida para mim até bem pouco tempo atrás. Eu só fui conhecê-la no ano passado, depois de completar 40 anos ! Mas antes tarde do que nunca ! E o melhor : conheci Ilhabela de bike !

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Essa foto mostra o continente visto da ilha. Ao fundo à direita, a Serra do Mar.

Foram duas idas para lá, quando tive a oportunidade de percorrer três trajetos diferentes, em quatro dias de pedaladas, um mais lindo que o outro. Começando na ordem cronológica, o primeiro percurso era um que já estava há tempos na fila, por assim dizer. É a trilha de Castelhanos, que atravessa a ilha, primeiro subindo 10 Km, de 0 a 700 m de altitude numa tacada só. Depois vem a descida para a praia de Castelhanos, mais 10 Km, de 700 a 0 m. Depois de curtir um mergulho e um suco (não achei água de coco, acredita ?), veio a subida de novo, 0 a 700 m em 10 Km, e depois desse trampo todo, a última descida, 10 km, 700 a 0 m mais uma vez ! Mas esse trampo todo compensa, viu ? Mata atlântica preservada o tempo todo e um caminho fresco e agradável. A subida é constante, mas bem possível, sem trechos muito íngremes. A estrada está bem cuidada no trecho inicial, mas na descida para a praia a lama é predominante. Um ponto negativo é o trânsito de veículos 4×4 levando turistas para Castelhanos, que é bem constante em determinadas horas do dia, principalmente no meio da manhã e mais para o final da tarde. Algumas fotos do caminho :

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É como eu disse antes : cachoeiras ! Mais uma :

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Agora uma queda pequena, mas bem linda :

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Quase chegando em Castelhanos tem uma travessia de rio, raso e largo :

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Na chegada a Castelhanos, dei azar : o sol se escondeu atrás de muitas nuvens, a foto ficou meio cinza :

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Mas mesmo assim, valeu o passeio, uma trilha clássica, obrigatória para qualquer um que se diga ciclista !

O próximo trajeto  foi para a praia do Jabaquara, pedal bem fácil, metade asfalto, metade terra, mas com vistas maravilhosas, e que começou no centro da cidade :

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Da estrada, a vista cinematográfica da praia :

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É bela ou não é ? Chegando na praia, um mergulhinho “de lei” ! Nesse dia o sol não escondeu atrás das nuvens !

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A próxima foi na direção sul da ilha, 90% asfalto, valeu mais como passeio de reconhecimento do lugar. Mas é como eu sempre digo : onde você não conhece, qualquer rua é trilha ! Nesse caminho dá para contornar a ilha e ter uma visão bem legal do mar aberto. Consegui uma foto do sol refletindo no mar, olha só :

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Mais uma no quesito cachoeira :

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Detalhe : na beira da estrada !

A última das pedaladas de Ilhabela foi uma repetição da trilha de Castelhanos, porém só a metade… Só a subida inicial e consequente descida. A diferença foi que dessa vez eu entrei no Parque Estadual e conheci mais duas cachoeiras, uma delas a da escada, olha ela aí :

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O porém dessas cachoeiras é a presença maciça dos borrachudos, inevitável em lugares quentes com água limpa. É que a fêmea do mosquito precisa de água limpíssima para depositar os ovos, e a água dessas cachoeiras vem de nascentes protegidas pela mata do parque, preservada. Sabendo disso, deu até para tolerar a coceira e a dor das picadas…

Depois de tudo isso, um casório básico para curtir : nossos amigos Guilherme e Flávia eram os noivos da vez… Aliás, um super agradecimento a eles, por indiretamente proporcionar esses pedais todos ! E também pela festa, que estava maravilhosa ! Também num lugar desses… Olha para você ver, como dizem lá em Minas :

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Parabéns aos noivos !

Concluindo, volto a afirmar : antes tarde do que nunca ! E isso vale para esse post, também, que está para ser escrito desde abril !

Links para detalhes como quilometragem, altitude, mapa, gráficos, etc. :

Castelhanos : http://connect.garmin.com/activity/242688846

Jabaquara : http://connect.garmin.com/activity/242688775

Sul : http://connect.garmin.com/activity/295227385

1/2 Castelhanos : http://connect.garmin.com/activity/295227183

Fim de janeiro… Fim de férias… Dois shows marcados em Gonçalves no fim de semana… A semana livre… Previsão de tempo bom… Vontade… Olha só , todos os ingredientes para uma viagem de bike, é só ir… Foi o que eu fiz. Uma semana antes, dividi o percurso de 160 Km em quatro dias e reservei as pousadas nas cidades por onde passaria. Tracei as rotas no Google Earth e passei para o GPS. Até comuniquei os amigos, mas sabia que ninguém poderia, então o jeito foi ir solo, mesmo. Arrumei a mochila com o mínimo de peso e ainda dei uma revisada na bike. Assim preparado, pedi uma carona para a Rê até Mairiporã e fui !

Primeiro Dia

Na saída, uma chuvinha fina porém insistente contrariava a previsão do tempo. Mau sinal, mas foi a única chuva que eu tomei durante o percurso todo ! Ainda bem que eu fui paciente e não xinguei os meteorologistas logo de cara… Até Nazaré Paulista o caminho foi bem tranquilo, tirando os atoleiros na beira do canal da Sabesp, que nessa época ficam bem enlameados. Quase me arrependi de ter escolhido esse trajeto. Em seguida um trecho de asfalto para compensar, e então uma subida das mais íngremes que eu já vi…! Mais de 25% de inclinação, com certeza !

A cidade de Nazaré Paulista é bem peculiar : tem uma parte importante encarapitada no morro, onde se vê a igreja matriz, e uma outra parte uns 5 Km depois, depois de atravessar a rodovia D. Pedro, no bairro Vicente Nunes, onde fica, por exemplo, o fórum… Fiquei imaginando o que levou a isso, durante o desenvolvimento da cidade. Talvez a represa, que deve ter sido construída depois, foi a causa dessas peculiaridades… Depois desse bairro, um trecho que já conhecia, uma subida (que eu já desci duas vezes, antes…) que chega no mirante do Cristo. Olha a estátua :

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Céu cinza, mas sem chuva… Depois de passar pelo bairro Quatro Cantos, cheguei num trecho conhecido, onde já tinha passado ao fazer uma trilha em Piracaia. Depois de uma descida alucinante, cheguei na cidade. Como era cedo, perto de uma e meia da tarde, resolvi almoçar. Achei um self-service por quilo super honesto e mandei ver ! Olha o que tinha virado o céu, nessa foto da igreja matriz :

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Cheguei então na Pousada Barriga da Lua, bem simpática e com ótimo preço. Parece a casa dos pais… Só não falo de vó porque a pousada em Joanópolis ganhou esse posto… Bom, mas esse é um assunto para mais adiante… Olha a foto da chegada na pousada, com direito a comitê de recepção (os dois cachorros na entrada) :

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O quarto, uma suíte bem espaçosa com saída para a varanda, onde coube até a bike, com toda a segurança…

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Um detalhe curioso da pousada é que o dono faz criação de aranhas na varanda…  Ele mesmo me disse que expulsa quem matar alguma de suas aranhas de estimação… Não pude deixar de admirá-las, naquele medo-respeito que sempre tive por esses seres. E a ameaça de expulsão funciona, porque as aranhas estão bem gordas, fortes, bonitas….! Olha só uma delas :

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E essa nem era a maior !! Fiquei o resto do dia descansando na pousada, onde jantei uma comida caseira bem honesta, e fui dormir cedo, para acordar cedo e disposto para o dia seguinte.

Segundo Dia

Acordei no horário de sempre, 6h30, fui tomar café da manhã e me despedi da pousada. Na saída, os cachorros estavam na mesma posição da chegada, mas as caras parecem tristes pela despedida… Não parece ? Confira :

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Peguei a estrada, já conhecida minha, que margeia a represa de Piracaia. O tempo estava cinza, mas sem chuva. Até que deu sinais de abrir, alguns pedaços azuis pipocavam aqui e ali no céu, junto com raios de luz, um prenúncio de calor e sol bem vindos naquela manhã fechada. Essa foto ilustra bem o que acabei de escrever :

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E conforme anunciado, surgiu o sol, colorindo ainda mais a paisagem da cachoeira :

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A represa de Piracaia, emoldurada pelas montanhas e pelo verde :

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Mais uma da represa, pouco antes de mudar de estrada :

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Da série “Igrejinhas Rurais”, essa, que ganha o título de “A mais original”, olha se eu não tenho razão :

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Depois de uma serrinha bem difícil, porém curta, cheguei no topo e avistei Joanópolis, meu destino nesse dia. Nesse momento percebi que a divisão que fiz das quilometragens por dia foi muito folgada, pois ainda era meio dia e meia. Olha a cidade aí, com o início da Serra da Mantiqueira ao fundo :

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Ao chegar fiz como no dia anterior, procurei um restaurante, e achei um na praça principal, onde comi um PF (Pink Floyd, ou prato feito, como queiram…hehehehe) pela bagatela de dez reais (!), que estava bem bom, comida caseira muito boa.

Fui então para o casarão da Tuca, a pousada que eu tinha reservado. Essa sim, casa de vó, inclusive o banheiro era bem parecido com o da casa da minha saudosa vó Landa… Acomodação simples, porém honesta e bem barata…

Depois de tomar um banho fui dar um passeio a pé pela praça, então tirei fotos do coreto e da igreja :

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Na foto acima o senhor de vermelho parece que posou para a foto ! A igreja matriz :

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Voltei para a pousada, onde acabei me oferecendo para ajudar a Tuca numa transplantação de um pé de manjericão para um vaso maior, que acabou tomando um tempo e deu muito trabalho, mas que nem percebi, tão entretido fiquei com a tarefa e com a conversa com a minha anfitriã, que já morou em Porto Seguro, Bahia, e agora cuida do casarão herdado da família, que transformou em pousada. Só vi que tinha escurecido quando terminei, e orgulhosamente contemplei o resultado do trabalho : o manjericão frondoso agora descansava tranquilo no vaso. Foi então que olhei no relógio : Oito horas (janeiro = horário de verão), e lembrei que estava com fome.

Depois de perguntar para a Tuca, fui no complexo Edson, que inclui uma lanchonete que também serve porções na frente e uma pizzaria nos fundos. Acabei escolhendo a pizzaria, não estava com vontade de comer lanche. Devo dizer que a escolha foi bem feliz, a pizza foi uma das melhores que eu já comi ! Pedi uma brotinho que acabou sendo mais que suficiente para a minha fome, meia marguerita, meia calabresa, hum, muito boa !

Enquanto comia, pude observar as paredes do restaurante cobertas de fotos do Caminho da Fé, de bike e a pé, e me senti em casa…! (Já percorri esse caminho, veja posts anteriores) No fim da noite, acabei num papo bem animado com o dono, o Edson, e o Antônio Olinto, autor de vários guias de cicloturismo, que coincidentemente estava de passagem por Joanópolis durante a produção de mais um guia.

Voltei para a pousada bem feliz e animado para o trajeto do dia seguinte, a subida da serra em direção à Monte Verde.

Terceiro Dia

Após um café da manhã bom e barato na padaria da praça, segui viagem, já sabendo que o dia seria de subida. Depois de passar pelo bairro do Can Can, começou um trecho que já conhecia de quando eu e a Rê passamos um fim de semana no Ponto de Luz (ver post). Subida constante e com alguns pequenos trechos mais íngremes, um pouco mais técnicos.

Uma foto para quebrar a narrativa, um córrego à beira do caminho :

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Então cheguei num ponto onde havia uma decisão a ser tomada. Quando planejei a rota, pelo Google Earth, achei uma estrada que cortaria o caminho por dentro de uma fazenda de reflorestamento. O que não dava para ver na foto do satélite eram as condições da estrada, então a dúvida era : caminho maior, mais asfalto, certeza, ou atalho, menos asfalto, aventura ? Acertou quem disse que eu escolhi a segunda alternativa ! A curiosidade falou mais alto… Depois de cinco quilômetros percorridos de estrada bem boa, começou o trecho ruim… E começou em grande estilo, olha só :

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Se eu estivesse de carro teria que dar meia volta, né mess ? Mas no meio do desmoronamento tinha uma ponte… Para pedestres e ….. Bikes !!!

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Depois dessa pinguela salvadora continuei sem muitas surpresas, por dentro de fazendas de reflorestamento, estradas de todos os tipos e condições (sempre de terra, claro…) até encontrar o asfalto de Monte Verde, sinal de que estava perto.

De fato, logo cheguei :

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Fiquei na Pousada da Trilha, ótima opção, boa e barata, do jeito que eu gosto. Uma foto do corredor dos quartos :

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Agora mais uma, da piscina entre as árvores, e a vista para Monte Verde :

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Depois do banho fui passear na vila, cheia de lojas, bares e restaurantes. Para o jantar, escolhi um polpetone com pasta, acompanhado por uma cervejinha :

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Tava muito bom ! Mais uma noite de sono feliz e fome saciada ! E vamos para o último dia, pedalar no quintal de casa, entre Monte Verde e Gonçalves !…

Quarto Dia

Mesma rotina de cicloviagem : acordar, empacotar, tomar café da manhã, abastecer reservatórios de água e repositor, e pé no pedal ! O caminho desse dia foi o mesmo da ida para Monte Verde no pedal de inverno de 2012, com o Jota (ver post). Viagem tranquila, sem surpresas, na saída do asfalto as placas indicavam o caminho a seguir :

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A “Pedra Pintada” :

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Serra da Mantiqueira !

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Chegando no Bairro do Mato. Ao fundo, a pedra de São Domingos :

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Até que cheguei no Sertão do Cantagalo, na casinha, onde teve fim essa jornada de quatro dias. O resto da história foi só alegria : cheguei na quinta; sexta e sábado toquei com os queridos Elder Costa e Claudinho Mendonça, o som foi muito legal.

Enfim, isso é o que eu chamo de uma semana perfeita !!! Quem dera todas fossem assim !!!

Detalhes dos quatro dias no Garmin Connect :

Primeiro dia (Mairiporã – Piracaia) (http://connect.garmin.com/activity/266850273)

Segundo dia (Piracaia – Joanópolis) (http://connect.garmin.com/activity/266850496)

Terceiro dia (Joanópolis – Monte Verde) (http://connect.garmin.com/activity/266850541)

Quarto dia (Monte Verde – Gonçalves) (http://connect.garmin.com/activity/266850641)

Essa viagem tinha tudo para dar errado… Fim de ano, época de chuvas, e para completar, até duas semanas antes não tínhamos decidido nem para onde íamos… Depois de muitos e-mails trocados e enrolações mil, finalmente chegamos a um denominador comum : Terras Altas da Mantiqueira, começando em Passa Quatro, Minas Gerais. Decidimos fazer a cicloviagem 5 do guia de trilhas do Guilherme Cavallari, cujo roteiro é Passa Quatro – Virgínia – São Lourenço – Pouso Alto – Itanhandu – Passa Quatro. Depois de procurar pela Internet, encontrei pousadas acessíveis e com cara de boas em todas as cidades e fiz as reservas. Com base no guia, tracei as rotas pelo Google Earth e passei para o GPS. Para garantir, tirei uma cópia das planilhas do guia para colocar no porta-mapas, no caso de falha no GPS. Isso nunca aconteceu, mas é melhor prevenir do que remediar.

Assim preparados, no dia 25 de dezembro, ainda com o almoço de natal pesando no estômago e um calor de rachar, fomos até Passa Quatro. Nosso destino foi a pousada Maria Manhã (http://www.pousadamariamanha.com.br/), onde dormimos a primeira noite, e ainda pudemos deixar os carros durante os dias de pedal. As acomodações eram ótimas, e, tirando a ansiedade, tudo foi propício para o sono pré-pedal. Estávamos em cinco : Eu, Zé Helder, Valdomiro, Tonhão e Jota Gê.

No dia seguinte, durante o café da manhã, essa era a paisagem :

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Serra da Mantiqueira, ói nóis aqui travêis !

Primeiro dia

Depois de esperarmos o moto boy trazer a sapatilha do Valdomiro (esqueceu em Pouso Alegre e contratou o cara para levar ! Gente fina é outra coisa !), saímos de viagem sob um sol de verão bem quente, apesar de ainda ser nove horas ! O trajeto começou subindo, subida longa porém suave, porém constante. E com o sol na moleira o fator dificuldade aumentou um pouco, mas nada que não desse para completar. Uma coisa boa de subir serra no verão é que a temperatura cai um pouco conforme a altitude aumenta.

Olha algumas fotos :

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Dá pra ver a estrada que vem subindo desde lá de baixo…

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Nessa dá pra ver o bairro da Jurema :

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Depois dessa subida de aproximadamente 10 Km, dobramos a serra e começou a descida, só alegria. Passamos por uma fazenda antiga, onde se lia numa placa : “PROHIBIDO”, olha só :

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A placa :

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Daí em diante, descida até que encontramos com a estrada principal :

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Uma vez nessa estrada, mais descida ! E olha a vista ! E a cidade lá em baixo !

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Eis que surge, então, para nosso deleite e prazer, do tamanho ideal, na temperatura ideal, linda e chamativa, uma cachoeira !

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Com um poço perfeito para o banho !

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Depois de um refresco delicioso, mais um pouco de descida até chegarmos em Virgínia :

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A igreja matriz, na praça central :

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Chegamos então na pousada e pesqueiro 13 Lagos, do Sr. Mauro, uma pessoa fantástica, do alto de seus 80 anos, com cara de 60, super ativo, inteligente, um ótimo papo e sua esposa, D. Malu, super alto astral, amorosa, um casal sensacional ! Fiquei fã deles ! O Sr. Mauro tem um projeto de Cicloturismo na região que ele chamou de 13 trilhas. Anotei o e-mail dele e fiquei de ajudá-lo a passar as trilhas do papel para o GPS.

Ah, antes que eu me esqueça, o pesqueiro tem 13 lagos, mesmo… Eu contei !!!

Olha o link : (http://www.pesqueiro13lagos.com.br/)

As acomodações muito boas, a comida ótima, com o peixe criado no local, a cervejinha regada a bom papo e o cansaço do dia foram ótimos soníferos, 22:00 e já estava todo mundo dormindo…

O total do dia foi de apenas 43,66 Km. Mais detalhes em : (http://connect.garmin.com/activity/256312514)

Segundo dia

Acordamos bem dispostos e com o prenúncio de mais um dia de sol e calor, afinal : “É verão, bom sinal, já é tempo de abrir o coração e sonhar !…”

Na porta do chalé, os preparativos para a saída :

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O café da manhã foi simples, mas honesto : fruta, pão, queijo, café, leite. Depois de passar novamente pela praça central, tirei uma foto da fila de bikes, alinhadas para a saída :

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De Virgínia a São Lourenço o caminho teve apenas um trecho de subida mais forte e poucos atrativos visuais, o que fez com que esse fosse eleito o dia mais sem graça da viagem. Nem fotos eu tirei, a não ser quando já avistávamos a cidade ao longe.

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Ao chegarmos em São Lourenço, ficamos na pousada Terra das Águas, simples porém confortável e com o café da manhã surpreendentemente bom !

Link : (http://www.pousadaterradasaguas.com.br/)

Olha ela aí :

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Chegamos em S. Lourenço bem cedo, por volta de uma da tarde, fomos andar a pé pela cidade, que foi a maior pela qual passamos. Por este motivo, o Jota Gê foi procurar uma bike shop para ver se resolvia um problema com a suspensão da bike dele. Negativo, as duas lojas da cidade não tinham equipamento para manutenção dessa peça. Depois disso fomos almoçar e comemorar o segundo dia com uma rodada de cervejas.

Foi quando apareceu o figura. Estávamos no meio do almoço e começamos a ouvir gritos, a princípio sem distinguir muito do que se tratava, mas curiosos, como todos ao redor. Eis que surge um homem de meia idade, empurrando um carrinho de vendedor transparente, com apenas um grande prato que continha… Pudim ! Pudim de leite condensado,  já pela metade, e o cara berrando :

- Eu existooooo ! Olha pra mim ! Esse cara sou eu ! Olha o pudim !

Caímos todos na gargalhada, e esse passou a ser um dos bordões da viagem… Eu existoooooooooo !

Total do dia 45,85 Km. Mais detalhes em : (http://connect.garmin.com/activity/256312611)

Terceiro dia

Depois do ótimo café da manhã, saímos em direção a Pouso Alto. No trecho inicial passamos por um pedaço da estrada Real, margeando uma ferrovia antiga, olha essa ponte de ferro :

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Depois de um trecho tranquilo, chegamos em Pouso Alto antes das onze da manhã. Fomos visitar a igreja Matriz :

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Tinha uma cruz por ali, não resisti e tirei a foto que chamei de ” Jesus Aos Pés da Santa Cruz” :

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De Pouso Alto a Itanhandu o destaque foi a subida do curral, que apesar de curta, foi bem exigente. Então veio uma descida alucinante, olha a foto :

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Depois de uma parada em Itanhandu para o almoço, mais 1 km até o destino final desse dia, a pousada Vila Minas. Point de ciclistas, olha só quantas magrelas nas portas dos chalés…

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Pousada show ! Boa e barata ! Os chalés tem toda a infra, parecem casas…

Olha o link : (http://www.pousadavilaminas.com.br/)

Nesse ponto o Jota, mais uma vez, capitulou… Pegou um taxi até Passa Quatro para pegar o carro e no dia seguinte voltar para SP. Ainda bem que estava perto !

O resto do tempo foi entre a piscina e a sauna, entremeadas com cervejas (pra variar !). À noite pedimos uma pizza delivery, show de bola, tudo terminou, mais uma vez, muito bem !

Total do terceiro dia : 50,17 Km. Mais detalhes em : (http://connect.garmin.com/activity/256312687)

Quarto dia

O último foi o dia mais curto dessa viagem…. Apenas 33 Km. Mas talvez esse tenha sido o dia mais difícil… Acordamos e fomos tomar o café da manhã, muito bom por sinal, e partimos. O Jota se despediu e seguiu para SP de carro.

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O dia começou com a subida do trecho inicial da Serra Fina, subida mais ou menos leve, porém constante, e a medida que subíamos, a paisagem ia ficando mais linda.

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Nessa próxima foto, Jesus e seu advogado discutem a beleza da natureza :

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Zé Hell admira a paisagem :

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Até que chegamos na parte mais esperada desse dia, quiçá da viagem :  a travessia do Rio Verde (sem ponte). Depois de um singletrack bem liso, eis que surge o rio :

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O Valdomiro atravessou primeiro, enquanto o Zé fotografava :

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Daí eu atravessei, para fotografar já na outra margem, a travessia do Zé. Olha a aura do cara, incandescente !

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Depois dessa travessia “escalamos” uma subida impedalável, cheia de pedras e erosão, até chegarmos na estrada principal, em descida, para Passa Quatro. Antes, mais uma cachoeira :

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E para terminar, mais duas fotos dessa serra maravilhosa :

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Chegamos de volta na Pousada Maria Manhã lá pela uma da tarde, a tempo de pegar os carros e seguir, no meu caso, fui para Gonçalves, pois fiz uma gig com o grande amigo Elder Costa, nesse mesmo dia, na Pousada Bicho do Mato. Aliás, esse é um bom assunto para um próximo post… Já o Tonhão foi para Ibitipoca passar o reveillon, enquanto o Zé e o Valdomiro curtiam a piscina, para depois voltar para Pouso Alegre…

Detalhes do último dia em : (http://connect.garmin.com/activity/256312787)

Essa foi uma viagem muito tranquila, com média de quilometragem baixa e pouco esforço de subida, muitas paisagens lindas e acomodações confortáveis e relativamente baratas.

Resultado : foi alta a média de cerveja consumida por dia !…

No fim, o que tinha tudo para dar errado foi a melhor cicloviagem de todos os tempos ! Nem uma gota de chuva e muita curtição entre amigos !

Abraços aos meus companheiros de pedal : Zé, Jota, Tonhão e Valdomiro !

Valeu por mais essa !

Vamos para a próxima !

Tô de volta !! Depois de um longo e tenebroso inverno (que na verdade foi durante a primavera), voltei a escrever nesse blog que já está cheio de teias de aranha virtuais…! Um dos motivos desse afastamento todo foi o meu pai, meu querido pai, que teve que colocar pontes de safena, e para completar ainda teve um AVC no cerebelo durante o pós-operatório. Foi uma fase difícil, mas o que importa é que ele está bem, em casa, se recuperando. Setembro e outubro também foram meses de ensaios e shows que fiz com o Hélio Ziskind no Rio de Janeiro, em Recife, e em São Paulo. Com tudo isso não consegui tempo nem inspiração para escrever…

Nesse meio tempo também não consegui pedalar muito, ainda bem que fiz grandes viagens de bike (Get Back Trip e Caminho da Fé) em junho e julho, deu para segurar a onda…

A título de atualização, vou tentar por partes resumir nesse post as histórias dignas de nota do período.

Agosto : mês do cachorro louco !

Foi em agosto, num teste ergométrico de rotina, que meu pai descobriu que estava com problemas nas artérias do coração. Depois de uma consulta no Incor, foi agendado um exame chamado cineangiocoronariografia, mais conhecido como cateterismo, que detectou duas artérias com entupimentos significativos. Até então o problema poderia ser resolvido com a colocação de stents, que são pequenas “molas” expansíveis, colocadas na artéria por meio de cateter, e sem necessidade de cirurgia. No segundo cateterismo, já para a colocação dos stents, os médicos descobriram uma terceira artéria com problemas. Daí não teve jeito, o quadro mudou totalmente, a cirurgia passou a ser o tratamento mais indicado.

A colocação das pontes de safena e mamária foi um sucesso, ele já estava se recuperando na UTI quando começou a ter náuseas, vômitos, falta de equilíbrio. O neurologista diagnosticou um AVC no cerebelo. Os médicos acreditam que uma placa de gordura se deslocou durante a cirurgia e foi para o cerebelo, causando uma isquemia (falta de oxigenação) em partes desse órgão, que por ser responsável pelo equilíbrio, causou os sintomas acima.

Resumindo, meu pai ficou um mês em São Paulo, três semanas de hospital e mais uma aqui em casa. Foram muitas noites que eu e minha mãe passamos com ele no Incor, muitas vezes sem pregar os olhos. Mas tudo bem, o que importa é que ele está se recuperando devagar e sempre. Foi um mês de muita expectativa e apreensão, onde muitas vezes eu vi os papéis se invertendo, às vezes eu parecia o pai e ele, o filho… O mais incrível é que eu não pensava ser capaz, mas na hora H a capacidade e a força vêm de onde a gente menos espera… Graças a Deus !…

Uma coisa engraçada quando o assunto é recuperação de células nervosas é que não há nada a fazer a não ser esperar. Não dá para fazer previsões de quanto tempo vai demorar para “sarar” e se haverá sequelas… Tem a questão da adaptação, as células que sobraram tem que aprender a fazer o “serviço” das que morreram durante a falta de oxigênio… O que me deixa animado é o fato de que o AVC atingiu uma área pequena do tecido cerebelar… Enfim, vai dar tudo certo…! E vamo que vamo !

Durante esse tempo, o máximo que eu consegui em termos de pedalada foi dar algumas fugidas para o Parque do Ibirapuera… No entanto consegui algumas fotos legais de algumas árvores em flor, olha só :

Eu posso estar enganado, mas acho que essas árvores são ipês brancos… O curioso é que a floração delas dura um dia ou dois, tem que dar sorte de ir ao parque nesses dias, senão só no ano que vem…

Nessa próxima, uma curiosidade : parece neve, mas é paina, caída da paineira. Antigamente meus avós usavam a paina para fazer travesseiros….

E para terminar, aproveitando o assunto, mais uma árvore em flor, que eu não pude deixar de colocar, essa perto da casa dos sogros, em Atibaia. Essa foi numa pedalada no fim de semana anterior à internação do meu pai :

Esse foi um divisor de águas em nossas vidas, realmente. De agora em diante em nossa família vamos falar em coisas que aconteceram antes da cirurgia e depois da cirurgia de safena do papai… Coisas da vida !…

Setembro : No Rio com o Hélio

Levei meu pai de volta para Pouso Alegre no dia 15 de setembro. No dia 19 fui para o Rio de Janeiro tocar com o Hélio Ziskind (já escrevi um post sobre shows com ele, veja…), no Festival Internacional de Intercâmbio de Linguagens, o FIL. Evento muito legal, cheio de atrações interessantes, e na cidade maravilhosa… Que mais eu podia querer ?  Rolou até uma pedalada na orla de Copacabana !

Na abertura do festival nós pudemos, além de tocar, ver uma pequena mostra do que aconteceria. Duas coisas merecem destaque, na minha opinião : O casal Hugo e Ines, ele faz um número de uma coisa parecida com mímica que é muito legal, veja no YouTube :

http://www.youtube.com/watch?v=uul0EA5N0Sg

E ela faz da mão um boneco, fantástico, veja também :

http://www.youtube.com/watch?v=BK6qtk9VcVU

No blog do casal tem mais, dá uma olhada :

http://hugoeines.wordpress.com/

Os nossos shows foram bem legais, no teatro do Jockey. Foi a estréia do novo baterista da banda do Hélio, o Guegué Medeiros, paraibano arretado. Tocamos no sábado e no domingo. Ao todo foram cinco dias no Rio, que delícia ! Perfeito para descansar um pouco a cabeça depois de tudo que aconteceu… Aí vão algumas fotos :

O morro Dois Irmãos e a orla num dia cinza…

A orla de Copacabana vista do final do Leme…

O famoso calçadão e o Forte de Copacabana ao fundo.

Voltamos para São Paulo no domingo, pela ponte aérea, super rápido, em 45 minutos chegamos em Congonhas. Mais uma viagem bem legal ! Eu sei que é um tremendo chavão, mas o Rio de Janeiro continua lindo, salve Gilberto Gil ! E aquele abraço !

Outubro : mês das crianças !

O mês de outubro geralmente é sinal de trabalho para quem toca música infantil… Esse outubro de 2012 não foi diferente. A primeira gig foi em Recife, dia 13 de outubro.

Mas antes de irmos, vou colocar mais umas fotos do departamento árvores em flor, mais ipês, dessa vez os roxos, mais uma vez no Ibirapuera :

Essa próxima eu não sei que árvore é, se alguém souber, agradeço se falar !…. Parece ipê também…

Fomos para Recife dia 12 de outubro, um dia antes do show. Eu achei isso bem bom, pois assim tive a oportunidade de conhecer a filha de um casal de amigos, o Helder e a Paula, mineiros que foram para o nordeste. Inclusive eu e a Rê passamos um pedaço da nossa lua de mel na casa deles, há exatos três anos atrás. A Beatriz é uma menina muito linda e risonha, e ficou acordada bastante tempo enquanto fiquei lá… E olha que já eram onze da noite !!! Baladeira, essa menina..!

Olha só, ela e o pai super-coruja :

Uma sem a chupeta, agora :

Como dizem o Zé e o Ricardo, da dupla Moda de Rock, às vezes a gente toca em lugares bem “feios”…. Olha só a vista que eu tinha da janela do quarto do hotel :

Agora sem a janela para atrapalhar :

Ficamos hospedados em Piedade, que é um bairro de Jaboatão dos Guararapes, cidade colada em Recife. A orla ali é famosa pelos ataques de tubarão, então vimos várias dessas placas, que dão um certo medo de entrar na água :

O lugar onde tocamos fica na praia da Boa Viagem, bairro nobre da orla Recifense. O Parque Dona Lindu, recém inaugurado, é mais um projeto de Oscar Niemeyer, e parece com o auditório do Ibirapuera (aqui em São Paulo), inclusive tem um palco com abertura para fora, também…

Veja fotos e informações em :

http://www.parquedonalindu.com.br/ (fotos)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Dona_Lindu (informações)

Acho que foi um dos lugares mais legais onde já toquei… Olha a vista do palco na hora da passagem de som :

O palco propriamente dito :

O show foi uma delícia, cinco mil pessoas ao ar livre, nem a chuva de dez minutos que caiu na metade atrapalhou… Na volta para o hotel tirei uma foto da Igreja na praça da Boa Viagem, olha só :

Enfim, mais uma viagem super legal. Na volta, nosso vôo saiu às duas horas da manhã, e como dei sorte de pegar um assento na janela, olha a foto que eu tirei do amanhecer nos céus do Brasil, com direito a reflexo na asa do avião :

Não dá para ver direito, mas aquele ponto branco é a lua… Nessa próxima deu para ver melhor, e ainda apareceu uma estrela. “Menina do anel, de lua e estrela…”, como diria Caetano… Foi no momento da descida, chegando em São Paulo :

Falta de sono, talvez ??? Mas valeu a pena…

Ainda no mês de outubro, dias 20 e 21, aconteceram três shows do Hélio no SESC Vila Mariana, esses bem especiais ! Lançamento do DVD Show no Paiol, com a participação dos bonecos e atores do Cocoricó !  Na foto o cenário, o set do baixo, a bateria, o Guegué e o Tim (roadie) :

Foi muito legal ! Agora uma foto durante o show (Essa tirada pelo Carlos Pelé, iluminador “dus bão”) :

Nem preciso dizer que a criançada adorou, né ?!?!?!! Nós também !!

Pedaladas

Dignas de nota foram apenas três, nesse tempo todo : uma em Mairiporã, duas em Pouso Alegre, uma delas com o Christian, grande amigo que há muito tempo não via…

Links do Garmin Connect :

Mairiporã : http://connect.garmin.com/activity/233819583

Pouso Alegre (Pedra da Baleia) : http://connect.garmin.com/activity/231346061

Pouso Alegre (Brejal, com o Christian Valias) : http://connect.garmin.com/activity/231220255

Algumas fotos…

Vista da Pedra da Baleia :

Singletrack no caminho de volta da pedra :

Agora a pedalada com o Christian, domingo de eleição, caminho para o bairro Brejal :

Fazia muito tempo que eu não pedalava com esse cara, algo em torno de uns dez anos….!

Abração “Chistian” !!

Enfim, agora que atualizei o blog vou tentar mantê-lo assim….  Até a próxima !

Depois de provar um “aperitivo” do caminho da fé na parte final da Get Back Trip, eu estava só procurando a oportunidade para terminar esse percurso. O trecho que eu já tinha percorrido, de Águas da Prata até Borda da Mata (aprox. 100 Km), foi bem legal, várias paisagens lindas, lugares inusitados e gente hospitaleira. Agora faltavam 213 km, de Borda até Aparecida. Escolhi uma semana propícia para remanejar as aulas e vamo que vamo !

Dia 1 – Borda da Mata até Consolação

Dia 30 de julho, segunda-feira brava. Mas não para mim ! Acordei as 6:30, o dia estava claro, com algum nevoeiro, mas com um prenúncio de sol. Apesar do frio da manhã, imaginei que seria um dia quente. Já tinha combinado com meu pai uma carona até Borda, para economizar energias e para recomeçar exatamente do ponto onde parei. Ele me deixou na praça, ao lado da igreja, e com tudo pronto, camelbacks abastecidos, recomecei o caminho da fé.  Não tinha certeza até onde iria, mas tinha intenção de chegar em Consolação.

Esse trecho, dizem, é um dos mais difíceis, com muitas subidas e descidas. Mas, cá entre nós, o caminho da fé é todo assim. Parece que foi escolhido a dedo o percurso mais difícil, para pôr à prova a fé do sujeito. Para aqueles que, como eu, não fazem o caminho por convicções religiosas, e sim, pelo passeio, pela viagem em si, fica a compensação de ter sempre uma linda paisagem ! Quanto mais sobe, mais lindo fica…!  E sempre sobe… Às vezes, sobe para descer do outro lado, e no começo da descida já dá para ver a subida que virá… E assim caminha a humanidade… A vida é assim… Com certeza enquanto pedalo, ainda mais solo como foi dessa vez (mais uma !), sempre rolam as reflexões, e eu fiquei assim, traçando um paralelo entre uma trilha de mountain bike e a vida, até que a primeira subida me levou à primeira divisa de municípios, Borda da Mata /Tocos do Moji.

A vista (acima), vista da divisa (abaixo).

Depois da divisa, algumas descidas fortes, até que cheguei em Tocos do Moji. Esse lugar eu já conheço faz tempo, antes dessa vez já tinha ido outras duas vezes para essa pacata cidadezinha. Já tive um aluno (na época que lecionava no conservatório) que morava por ali. Uma coisa que sempre me intrigou é por que que as pessoas falam “Tócos” ao invés de “Tôcos”… No site da prefeitura da cidade tem duas versões sobre a origem do nome : uma que vem da palavra grega tókos (nascente), e outra que diz que é por causa do desmatamento da região, que deixou muitos “tocos” de árvores. Se eu fosse de lá eu preferiria a primeira versão, e falaria Tócos… Confira : http://www.tocosdomoji.mg.gov.br/tocos-do-moji.htm

A moderna igreja da cidade.

Passei na Pousada do Peregrino, da D. Terezinha, para o primeiro carimbo dessa segunda etapa. Segui, então, para Estiva, e para mais uma serra a vencer. A divisa de município :

Uma característica do Caminho da Fé é que ele vai cortando as montanhas ao invés de rodeá-las, como as estradas de asfalto. Isso me lembrou da piada do burrinho versus o engenheiro, e humoristicamente pensei :   O caminho da fé foi feito pelo engenheiro… Vou contar a piada, senão quem não a conhece vai ficar “boiando”…

“O engenheiro chegou na pequena cidade do interior de Minas e, na praça da igreja, abordou o primeiro que viu, e depois dos preâmbulos, perguntou :

- Eu queria saber como vocês por aqui fazem para abrir uma estrada, um caminho ?

- Ói, seu moço, nói sorta um burrinho e vai marcando o caminho dele com umas estaca, despois nói abre a estrada seguindo as estaca…

- Mas e quando não tem um burrinho ?

- Aí nói chama os engenheiro…”

Depois da pausa para a piada, continuei subindo a serra. Até que cheguei no alto, depois de muita subida e muito sol no lombo. Lá de cima dava para ver, antes de descer, o que teria que subir do outro lado do vale, exemplificando o que eu escrevi anteriormente… Olha só :

Repare na estradinha que sai do canto direito e sobe até quase o meio da foto… Depois de descer até aquelas casinhas, subi tudo de novo. Lá em baixo o bairro Pantano dos Teodoros, e já na subida oposta, uma foto de onde tirei a foto acima (!) :

Essa subida tinha alguns trechos com calçamento, e é como eu sempre digo : se tem calçamento, tem sofrimento…! Depois dessa subida, mais uma descida alucinante até Estiva.

Em Estiva parei na Pousada do Poka para mais um carimbo e conheci a D. Zezé (Maria José), super simpática, ficamos conversando um tempo. Quando eu falei do meu pai, ela se desdobrou em elogios, e disse que apesar de não conhecê-lo, já tinha ouvido falar muito bem dele. Meu orgulho de filho foi lá nas alturas, e aproveitando que ontem foi dia dos Pais, parabéns, pai !

Em Estiva já tinha pedalado quase 40 Km, mas achei que dava conta de mais uma serra, pois ainda eram 14:00. Olhando na lista de pousadas, liguei para a Pousada da D. Elza, em Consolação. Ela me disse que poderia ficar lá, então me preparei para a última subida do dia, a serra do Caçador.

Passei por cima da Fernão Dias, isso me trouxe mais um pensamento : Quantas vezes eu já passei por esse lugar, de carro, rápido, sem nem reparar que por ali passa o caminho da fé….!

A serra do caçador foi moleza, tranquila… Ah… Quem dera eu pudesse escrever isso… Foi, pelo contrário, a pior serra do dia, a mais íngreme, a mais longa, a mais difícil. E depois de quase 50 Km, para mim foi quase impossível. Tive que empurrar a bike nos momentos mais críticos, que foram vários. As câimbras deram o ar da graça, e foi quando eu percebi que o caminho da fé é para profissionais. Aqueles que não o são, como eu, em alguns trechos têm que se contentar em empurrar e curtir. E tá tudo certo ! Como diz o Guilherme Cavallari, empurrar a bike também faz parte do esporte !

Enquanto subia me deparei com essa árvore sob um fundo azul que achei que merecia a foto :

Lá do alto mais paisagens estonteantes :

Encontrei com a minha velha conhecida, a Pedra de São Domingos, que eu carinhosamente chamo de “São Dumas”. E pensar que a casinha fica logo ali, atrás dela…!

Mais uma divisa de município, essa indicando para mim que faltavam 7 Km para terminar o dia de pedal !

Mais uma foto da vista lá de cima, dessa vez com uma participação especial da Lua, quase cheia :

Até que cheguei em Consolação, cidade da qual já tinha ouvido falar mas nunca tinha sequer passado. Acho que era a última cidade que faltava conhecer na região de Gonçalves. Olha a entrada, um pouquinho enferrujada, também com a lua ao fundo :

A igreja matriz, ao entardecer, por entre as árvores da praça :

A pousada da D. Elza, é , na verdade, a casa dela, o que faz com nos sintamos seus convidados, quase como se estivéssemos na casa da tia, da vó… A comida, caseira, boa e farta, foi ótima para repôr as energias das três serras do dia.

Depois de assistir um pouco de TV e prosear o sono foi batendo, o cansaço foi gritando, e a cama me chamando… Fui dormir lá pelas 22:00.

Nesse dia pedalei 56.88 Km e subi um total de 2241 m. Três serras !

Detalhes em : http://connect.garmin.com/activity/205728508

Continua…

Sétimo dia : Última etapa

Quando cheguei em Ouro Fino e o pneu furou, o gostinho de vitória foi substituído pelo desânimo, depois que eu descobri que a cola que eu tinha estava vencida. Sem ela, não poderia seguir em frente, já que todas as câmaras de ar estavam precisando de remendos. E por causa do dia e da hora (sábado, 17:00) eu não acharia nada aberto… Por isso, quando cheguei na pousada empurrando a bike, minha ideia era tomar um banho, jantar e ligar para casa para pedir resgate. Pediria para o meu pai vir de caminhonete no dia seguinte de manhã, e fazer o quê ??

Nessa viagem eu passei por dois momentos de “perrengue” onde foi crucial a ajuda de alguém. Um deles foi no primeiro dia (veja http://blogdolubassman.wordpress.com/2012/06/06/get-back-trip-diario-de-viagem-parte-1/), quando me perdi e o caminhoneiro Erasmo me deu uma carona salvadora. O outro foi quando me vi em Ouro Fino sem câmara de ar e nem cola… Nesse caso a ajuda estava onde eu menos esperava : na pousada Caiçara (antiga Arco-Íris), onde, ao chegar e pedir por um quarto, o atendente (Que vergonha, não me lembro o nome dele…), quando viu que o pneu estava furado, perguntou se eu tinha remendo e cola. Eu contei o que estava acontecendo e o cara, que também é ciclista, me disse, inacreditavelmente : “- Ah, eu tenho uma cola aí, vou pegar para você !”

Imediatamente o ânimo voltou !! A alegria que eu senti foi incrível, a Get Back trip estava salva !! E eu não me lembro o nome do cara…! Falha imensa…! Espero que ele me perdoe…! Fui para o quarto, tomei um banho ótimo, aliás, aqui cabe um parêntesis. Meu amigo Zé Helder sempre fala, e eu tenho que concordar com ele.  O banho depois da pedalada é demais ! E, junto com o suor e a poeira, escorreram pelo ralo todas as coisas ruins, e eu me senti novo de novo !

Depois do banho,  remendei as câmaras de ar, enchi o pneu e coloquei a roda de volta. Deu certo ! O último dia de viagem estava de pé ! Voltei a sentir aquele gosto agridoce, mistura de tristeza pelo fim da jornada e de alegria por completá-la.

O jantar foi um filé de frango à parmigiana que estava ótimo, tudo que eu queria naquele momento, acompanhado pela tradicional cervejinha. Outra coisa que fica ótima depois de um dia de pedal : a cerveja ! O primeiro gole é incrível ! Não sei se é por causa da desidratação, ou se é o sentimento do dever cumprido que potencializam a sensação refrescante, só sei que desce muito bem !

Depois do jantar, voltei para a pousada, verifiquei o pneu mais uma vez, e… Oba, ainda cheio ! Fui para o quarto e deitei. A avalanche de sensações do dia, mais o cansaço do pedal e mais o jantar e a cerveja foram soníferos poderosos, e em meia hora eu estava dormindo profundamente.

O dia seguinte amanheceu com sol, mais uma vez, e ao acordar a primeira coisa que fiz foi checar o pneu. Mais uma vez tudo certo, só falta arrumar a mochila, tomar café da manhã e zarpar ! Depois de uma semana nessa rotina (acorda-arruma-pedala-pedala-desarruma-toma banho-come-dorme), o pensamento nessa hora foi novamente aquela mistura de alegria com tristeza, alegria porque seria o último dia que eu precisaria arrumar a mochila e tristeza porque seria o último dia que eu precisaria arrumar a mochila… É que, como eu escrevi no post anterior (parte 6) eu tenho um pouco de preguiça de “levantar acampamento”, ou seja, pegar toda a bagunça espalhada pelo quarto e empacotar.

O café da manhã da pousada foi muito bom, bem servido e variado. Paguei, agradeci o meu Salvador da Pátria 2 e segui viagem. Passei pela igreja de Ouro Fino, onde tirei a tradicional foto.

Repare na hora que o relógio da igreja está marcando : 8 horas em ponto. Esse foi o horário de saída, documentado… Confesso que nesse dia eu acordei mais tarde. Afinal, um baita domingão ! Depois da primeira subida, o primeiro lugar digno de uma foto, sob o sol da manhã :

De Ouro Fino a Inconfidentes são mais ou menos 10 Km, trajeto curto e fácil, com poucas subidas. Logo cheguei na divisa de municípios :

Gastei pouco mais de uma hora para chegar de igreja à igreja, 1h e 10 minutos, para ser mais exato, como atesta o relógio da matriz de Inconfidentes :

Passei pelo trevo, em cujo posto carimbei a credencial :

Daí até Borda da Mata “falaro” que não tinha muita subida, mas em se tratando de Minas Gerais e suas montanhas, eu fico bem esperto… Ainda bem, porque não faltaram as ditas cujas… Mas pensando bem, mais leves do que as serras dos dias anteriores. O pneu foi causa de constante preocupação, para não dizer paranóia…! Toda hora eu parava para verificar…

Cheguei na divisa com Borda da Mata :

Depois de algumas subidas, cheguei num lugar de onde avistei a cidade lá embaixo :

Ao chegar na cidade, pausa para o carimbo numa pousada e para a foto da matriz :

Nesse ponto faltavam apenas 20 e tantos km para terminar a Get Back Trip ! As sensações contraditórias se alternavam numa montanha russa de emoções, e o cansaço acumulado cobrava um alto preço. Mesmo nas subidas mais leves as pernas reclamavam… Mas com o fim já próximo, as forças foram aparecendo e segurando a onda.

Saí de Borda da Mata (terra da minha bisavó Adélia) e do Caminho da Fé prometendo a mim mesmo terminá-lo numa outra vez. Partindo de Borda, faltam apenas 213 Km até Aparecida do Norte. Mas isso é assunto para a próxima viagem… De Borda da Mata o trajeto foi mezzo terra, mezzo asfalto. Mas mesmo no asfalto, no fim foi difícil. Tudo doía : pernas, braços, ombros, bunda… Mas a alma leve, sorria …!

Cheguei em casa, em Pouso Alegre, lá pelas 4 da tarde, fechando um círculo de 405 Km em 7 dias de muitas paisagens, emoções, suor, sol, frio, calor, poeira, barro, montanhas, esforço, parentes e lugares que há muito não visitava.

Preciso agradecer muito a todos os que me receberam, me deram alguma coisa, por mais insignificante que fosse, um café, almoço, pouso, um bom-dia, um boa-tarde, uma carona, um dedo de prosa, uma cola, enfim, a todos os parentes, amigos e desconhecidos que de alguma forma contribuíram para o sucesso dessa viagem. Obrigado !

Detalhes desse dia em : http://connect.garmin.com/activity/185288740

Até a próxima !!

Sexto dia : De Andradas a Ouro Fino

O dia amanheceu azul. Frio, mas azul, bem azul. Nem parecia o mesmo lugar onde, umas doze horas antes, tinha muita neblina e um pouco de chuva. Quando acordei, o sol já estava alto no céu, mas ainda não aquecia o suficiente… Levantar foi meio difícil, confesso. Mas, como diz o Valdomiro : “Vamos à luta, filhos da pátria !” O café da manhã da pousada foi tão bom quanto o jantar : farto, variado, honesto. E ainda por cima com vista para o pico do Gavião…

Voltei para o quarto pensando na rotina da viagem, e refletindo, descobri que os momentos que eu não gosto são apenas dois : o acordar e levantar no frio do inverno e o ato de empacotar as coisas, fechar a mochila, encher os reservatórios de água e repositor, e tudo o mais. Não é preguiça de pedalar, e sim de arrumar as coisas todas. Ao acordar, olhar tudo espalhado e pensar que tem que juntar tudo no mesmo volume… Mas enfim, comer, coçar e pedalar é só começar…! Paguei a conta que foi de apenas R$ 81,00, incluindo as três cervejas que tomei no jantar… Barato e bom ! Confira : http://www.pousadapicodogaviao.com.br/

Ao sair da pousada, uma bela vista completa do Pico do Gavião :

E para variar, um dia que começou com uma descida. É sério, não é ironia !… Descida de 10 Km com Andradas no final. Ainda bem que eu deixei para o começo do dia, e que dia mais azul, repito !  Nesse momento me encontrei com um casal que percorria o Caminho da Fé de moto. Pararam para conversar e trocar experiências… Pensei comigo : “de moto eles chegam lá hoje mesmo… Assim não tem graça” !!! Bom, mas como diz a Alda : Cada qual com o seu cada qual !

E lá fui eu para o penúltimo dia de viagem. Já podia sentir aquele gostinho de vitória, faltavam aproximadamente 140 Km para chegar em Pouso Alegre e fechar o círculo. Ao mesmo tempo, um pouco de tristeza por estar no fim. Saudades da Rê, que numa hora dessas estava em Portugal… Vários pensamentos na cabeça, enquanto despencava para Andradas.

Chegando lá, passei no Hotel Andradas para carimbar a credencial e segui, não sem antes tirar uma foto da Igreja Matriz :

O próximo desafio foi a Serra dos Lima, e que desafio ! Muita subida, íngreme e um pouco dificultada pelo sol, a pino…! Porém a recompensa não falha : Paisagens de tirar o fôlego, assim como as subidas !

No meio da serra tinha uma árvore :

E o céu continuava azul !! Olhando para trás, o pico do Gavião :

Mais uma :

Até que cheguei no bairro da Serra dos Lima, onde peguei mais um carimbo na pousada da D. Natalina, com a própria. Depois dessa subida toda eu pensei que agora seria descida ou plano até Ouro Fino… Santa ignorância !! Até chegar no distrito da Barra foi descida, aliás forte… E tudo o que desce… Sobe !! E como sobe… Mas voltando ao bairro da Serra dos Lima, olha só esse casarão antigo, todo restaurado. Repare na seta amarela, indicação do Caminho da Fé :

A vista do outro lado da serra, e dá-lhe, cafezal !

Cheguei no distrito da Barra, onde é também a divisa de municípios :

Nesse ponto começava de novo a subida, porém com um refresco na metade, a cachoeira da Barra :

E que refresco ! A água estava bem gelada… Deve ser melhor no verão… A partir daí um pouco mais de subida, até que a estrada desceu novamente, até chegar em Crisólia, outro distrito de Ouro Fino. Olha a igreja da praça :

Já que estava bem próximo de Ouro Fino, telefonei para duas pousadas credenciadas do Caminho. Como havia vagas nas duas, prossegui, não sem antes carimbar a credencial no Restaurante da Zéti. Até que cheguei no trevo de Ouro Fino, onde fica a estátua do menino da porteira. Peço desculpas ao povo de Ouro Fino e para o autor da obra, pelo que vou falar agora, mas eu acho essa estátua muito feia !! Desproporcional, me parece mal feita, tosca. O menino tem cara de ancião… Veja você mesmo :

Fique à vontade para discordar de mim… Acho que o “menino” da porteira não gostou dos meus pensamentos, porque nesse momento, depois da foto, quando eu pensei : “- Cheguei !”, o pneu estava furado !! Quem mandou pensar mal da estátua ??!!

Me dirigi ao posto de gasolina a uns 200 m dali, pensando que seria rápida a emenda do pneu. Aqui cabe um parêntesis : lembra quando no post sobre a Get Back trip parte 3 eu contei que, na saída da casa da Tia Zulmira o pneu furou e eu não consegui remendar, troquei a câmara, ao invés ?? E quando fui dar uma geral na bike em Botelhos e esqueci da câmara de ar ? E lembra na parte 4 quando eu passei por uma bike shop em Poços e nem pensei em câmara de ar ?? Só para lembrar… Fecha parêntesis, continua lendo…

Peguei as espátulas, o kit remendo, tirei a roda, esvaziei o pneu, tirei o pneu com as espátulas, tirei a câmara, achei o furo. Beleza, agora é só passar a cola, cortar e colocar o remendo, verificar se o que furou a câmara ainda está no pneu, colocar a câmara de volta, encher o pneu, colocar a roda de volta, guardar o kit, e pronto…! Estaria pronto, não fosse um passo crucial nessa sequência de conserto de pneu. A cola !! A cola estava vencida ! A cola não colou ! Uma pena que eu só fui deduzir isso depois de fazer todos os passos acima duas vezes !… Sim, porque da primeira vez quando enchi o pneu imediatamente começou a vazar ar. Demorei para entender e aceitar o fato de que com aquela cola não ia rolar. Ela não estava reagindo com a borracha da câmara e muito menos com a do remendo. Como desgraça pouca é bobagem, me dei conta que era sábado, depois das 17 horas… O comércio fechado, seria impossível arranjar outra cola… E ainda faltava um dia de viagem…

Fui empurrando a bike até a pousada mais próxima, acabrunhado, cabisbaixo, cansado e desanimado. Pensava em ligar para a “base” (casa dos meus pais) e pedir resgate… Pensava que tinha chegado até ali… Que triste desistir… Mas sem câmara de ar reserva e sem cola, impossível continuar… Seria o fim da Get Back trip ??

Continua no próximo e último post desta série…

Detalhes desse dia : http://connect.garmin.com/activity/185288560

Quinto dia : No Caminho da Fé

Quando cheguei em Poços, liguei para meu amigo-padrinho-quase-irmão, o Adinan, porque eu tinha falado para ele que ficaria em sua casa. Mas casa de vó é casa de vó, e pensando bem mudei de idéia. Mas como ainda não conhecia a casa nova do Adinan e da Cristiane (também minha prima, coincidentemente), fui visitá-los. Bela casa, hein Adinan ??!! Gostei bastante, muito bom gosto o de vocês !

Voltei para a casa da Vó, onde pedimos uma pizza, comemos e ficamos eu e ela conversando na sala. Falamos sobre os parentes que eu já tinha visitado, sobre o passado, sobre os lugares que eu passei, até que ela falou que estava com sono e foi dormir. Foi quando fui visitar a “bat-caverna”, tipo um porão onde ficam as coleções de discos (de vinil), as coleções de HQs dos meus tios, além de muitos livros e curiosidades antigas. Fiquei lá até não aguentar mais de sono, lá pelas 23:00.

A noite foi muito bem dormida, e ao acordar a vó Rita já tinha até feito café… Tomei café com ela e levantei acampamento, ansioso pela pedalada. O começo foi passando pelo centro da cidade, o que inevitavelmente trouxe lembranças. Principalmente ao passar pela r. Agnelo Leite (uma travessa da av. João Pinheiro), onde ainda existe a casa que moramos quando eu era criança.

Quando a cidade começou a ficar para trás e a estrada virou terra (oba !) apareceu uma entrada à direita com um obstáculo :

Nessa hora eu fiquei sem saber o que fazer. Tinha três opções : entrar a direita ignorando a placa , voltar e mudar o caminho ou seguir a estrada de terra em frente… O problema é que eu não sabia onde ela sairia. A porteira de ferro estava trancada com cadeado, eu teria que pular para entrar a direita e seguir o caminho que tinha traçado. Confesso que fiquei com medo de haver algum segurança, ou câmeras de vigilância, e já estava quase voltando quando passou um motoqueiro. Minha intenção era perguntar onde sairia a estrada de terra, mas ele acabou me falando, sem eu perguntar, sobre a estrada da porteira. Me disse que os trilheiros costumam seguir por ali, ignorando a placa. Que ela está ali só para automóveis e caminhões. Oba ! Valeu ! Assim incentivado, pulei a porteira !

Aí começou a parte mais técnica de toda a viagem, com um singletrack meio fechado de mato, cheio de pedras, molhado de orvalho, o que somado ao frio da manhã em Poços de Caldas foi um fator agravante a mais. De repente entendi : essa estrada era uma antiga ferrovia, a julgar por essa ponte que atravessei.

Fato esse que ficou mais do que comprovado adiante, quando apareceu um trecho onde ainda existem trilhos…

Esse trecho fica às margens da represa do Bortolan, onde a família de um amigo de infância tinha uma casa e sempre convidava para um banho de piscina. Mais lembranças, Get Back Trip ! O singletrack aparece bem definido nessas fotos.

A partir daí passei por um trecho sem muitos atrativos, numa estrada bem movimentada de caminhões, que serve de acesso à CBA (Companhia Brasileira de Alumínio). Digno de nota foi que, por causa do hábito de cumprimentar os passantes, eu acabei cumprimentando uns 30 motoristas de caminhão ! Uma homenagem ao meu salvador no primeiro dia de viagem, o caminhoneiro Erasmo… Ele merece !(ver Get Back Trip Parte 1)

Foi então que, perto da estação Cascata, a paisagem começou a ficar interessante de novo.

Até que cheguei no bairro Cascata, onde existe uma antiga estação com o mesmo nome. A linha que passa por ali ainda está ativa para trens de carga, e vindo de Poços, esta é a estação antes da descida da serra para Águas da Prata.

Meu caminho pré traçado era por uma estrada de terra que saiu desse bairro e seguiu por um tempo paralelo à linha do trem, do outro lado da montanha, para, depois de algumas voltas, descer para Águas da Prata por uma descida vertiginosa com uma super vista, que no mapa do GPS estava marcada como Estrada do Deus-Me-Livre ! Foi um dos trechos mais bonitos da viagem, mas como estava bem nublado, não consegui tirar fotos boas…

Passando pelo bairro da Fonte Platina, cheguei em Águas da Prata. Parei na fonte para encher o cantil com a famosa água da Prata…

A estação da cidade :

Procurei a Sede do Caminho da Fé para pegar a credencial do peregrino, pois mesmo não sendo dessa vez eu quero terminar o caminho em outra ocasião. Como já eram 13:30 e eu teria uma serra para subir antes de chegar em Andradas, liguei para duas opções de lugar para ficar, uma no alto da serra, 10 Km antes, e uma já na cidade. Como as duas tinham vaga, deixei para decidir no caminho, de acordo com o desenvolvimento do pedal.

Liguei para o Hamilton, meu primo que trabalha em Águas da Prata e fui visitá-lo. Só lamentei o fato de não ter mais tempo para conversar com ele, um figura, de quem eu sempre gostei, desde criança.

Comecei então, o famoso Caminho da Fé, inspirado pelo Caminho de Santiago, que corta a Serra da Mantiqueira em direção à cidade de Aparecida do Norte. O caminho é todo marcado por setas amarelas, muito difícil se perder… Saindo de Águas da Prata, começa a subida da serra do Pico do Gavião, que não é tão íngreme, mas constante e longa. Em alguns lugares, além das setas amarelas em postes, mourões e outros, existem também placas de sinalização (patrocinadas por quem faz a propaganda; nesse caso, uma das empresas já mudou de nome, até…)

Esse foi um trecho bem bonito da viagem, pena que eu estava preocupado com a hora. Mas essa preocupação não me impediu de parar no lugar chamado “Ponte de Pedra” para umas fotos e um pequeno descanso. Pena que estava frio, sem sol, não tive ânimo para um banho…

Nesse ponto já eram quase 17:00, eu teria pouco tempo de claridade, e ainda faltavam uns 15 Km até o centro de Andradas, sendo que 10 Km seriam descida forte. Ainda por cima a neblina era espessa e estava bem baixa. Eu pensei : descida forte, no escuro, na neblina e no molhado, é tombo na certa… ! Decidi dar uma olhada na Pousada do Pico do Gavião (um dos lugares onde eu tinha ligado) e ver a “carinha” dela. Se agradasse eu ficaria.

A neblina, o lusco-fusco do anoitecer, o frio, todos foram fatores decisivos. A pousada não é credenciada do Caminho, apesar dele passar em frente a ela, mas o dono dá desconto para peregrinos. Já eram 17:30 da tarde/noite quando passei por ali, e ao bater os olhos não tive dúvidas : é aqui mesmo que eu fico ! Olha se eu não tinha razão :

Essa era a vista do meu quarto, na manhã seguinte. Agora a vista oposta :

Depois de um banho e um jantar maravilhoso, simples, mas bem servido, quente e variado, eu ainda tentei conversar um pouco com o dono da pousada, o Cesar, mas percebi que ele é uma pessoa de poucas palavras, então, aproveitando o sono e o cansaço, fui dormir bem cedo, antes da 22:00.

O total desse dia foi de 68 Km com 1650 m de subida acumulada. Um dos dias em que mais pedalei… Mais detalhes como o mapa, gráfico de altimetria e outros, em : http://connect.garmin.com/activity/185288373

Continua…